14 de março de 2011

O AMOR É CEGO...


Sabe aquele sentimento que deixa o mundo todo cor-de-rosa? E então parece que todas as estradas levam à casa do amadotodas as comidas têm gostinho de chocolate? E aí, até filme de terror faz suspirar e dia de chuva parece ensolarado? Tudo culpa do cérebro! É por causa dele que a pessoa apaixonada desativa os mecanismos de alerta contra ameaças do ambiente e se entrega, sem medo, às aventuras das relações.
Um estudo sobre isso foi apresentado pelo neurologista André Palmini, no V Congresso Brasileiro do Cérebro, Comportamento e Emoções, que aconteceu em Gramado RS, em junho.
Segundo ele, quando a pessoa está apaixonada por alguém, o cérebro desativa estruturas responsáveis pelo julgamento crítico e por manter alerta contra ameaças exteriores. O resultado não poderia ser diferente. O apaixonado dificilmente consegue ver defeitos e desconfiar da pessoa amada. “Estudos com imagens mostram que os mecanismos cerebrais que nos fazem ter uma visão crítica sobre as atitudes dos outros são desativados quanto estamos com a pessoa amada. É a explicação da ciência para a cegueira da paixão”, afirma.
Segundo ele, ainda, o cérebro age de forma diferente com relação à paixão ou amor. No primeiro sentimento os mecanismos de defesa quase não são ativados - mas a situação vai mudando com o passar do tempo. “Com a consolidação do sentimento, o cérebro começa a reagir ao ver a pessoa amada de forma parecida como age com outras pessoas”, explica. Mas então porque o amor segue depois da paixão passageira? “O grande segredo da neurociência é saber por que as pessoas continuam juntas, mesmo com as mudanças no comportamento cerebral”.
Mesmo assim, com tantas dúvidas sobre os relacionamentos afetivos, é fato científico que o amor também é um dos responsáveis pela evolução e preservação da espécie. “Temos no nosso cérebro um sistema de recompensa, que é o que nos faz buscar alimentos, água e a sobrevivência em geral”, diz André.
Segundo ele, pesquisas demonstraram que o amor também ativa de forma intensa este sistema, proporcionando prazer e bem-estar. “Na busca de bem-estar, amamos, nos reproduzimos e evoluímos como espécie”. Ainda bem, né?
Por Sabrina Passos (MBPress)